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04/09/2011 - 19h09m

Jan Claudio e Eduardo Proffa apresentam frutos de quase 30 anos de amizade no Palavra Mínima

Jan Claudio e Eduardo Proffa apresentam frutos de quase 30 anos de amizade no Palavra Mínima

 

Diogo Braz

 

O Projeto Palavra Mínima – uma realização do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e Cooperativa dos Trabalhadores de Música de Alagoas (Comusa) – tem proporcionado momentos muito interessantes para a cultura do estado. Em sua terceira apresentação, o projeto já conseguiu estabelecer um formato de sucesso, baseado numa interação natural entre música e poesia. Um grande mérito está na escolha das atrações: poetas e músicos que conhecem o trabalho um do outro e acabam sempre construindo um repertório conexo, dando à interatividade das linguagens uma dimensão bem mais profunda que apenas a declamação de poemas entre canções. O perfeito exemplo dessa interação pode ser visto na última sexta (02/09), durante a apresentação de Jan Claudio e Eduardo Proffa, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas.

Os dois são amigos desde o tempo de colégio; serviram juntos ao Exército, quando os laços de amizade se fortaleceram, então desenvolveram uma parceria produtiva no mundo das artes: montaram grupos musicais como o extinto “Nó na Garganta” e passaram a compor música, influenciando um na produção do outro. O resultado disso são canções conhecidas do público que acompanha os festivais alagoanos de música. Jan e Eduardo são figuras habituais desses palcos, tendo se destacado em importantes festivais como o Femusesc, o Femucic, Festival do Sesi, Festival do IZP, entre outros. No decorrer de suas carreiras conseguiram a fidelidade de um público grande, o qual chamam de amigos. Esse público esgotou os ingressos para a apresentação, o que motivou a Comusa e o IZP a realizarem uma sessão extra do espetáculo, que acontecerá na próxima sexta (09/09). “A gente só tem a agradecer pelo apoio dos amigos que vêm nos prestigiando, e a intenção é que a gente consiga atingir mais pessoas. Essa oportunidade que nós teremos na próxima sexta já vai ser um direcionamento para isso: que as pessoas que não conhecem nosso trabalho e não puderam vir antes, venham na sexta pra conhecer”, convida Jan Cláudio.

Quando o espetáculo começa, os dois mostram o motivo dessa mobilização de amigos: Quase 30 anos de colaboração entre dois parceiros na construção de obras acessíveis e de qualidade.

 

Eduardo Proffa

 

A trajetória e a produção artística do poeta Eduardo Proffa se confunde com a música. Poeta e compositor, Proffa viu na música um veículo para seus versos. “O que eu gosto de fazer é poesia, e na música eu descobri um caminho para mostrar a minha poesia. E foi a partir daí que eu comecei a enveredar por esse caminho, mas a ideia principal sempre foi mostrar a poesia através da música, tanto é que, numa parte do show, são apresentados poemas meus que foram musicados pelo Jan nessa nossa longa trajetória de construção de arte”.

Os versos de Proffa têm ritmo que suscita melodia e uma universalidade de temas que possibilita que sejam sentidos com propriedade por diversas pessoas. A maneira com que declama as poesias é quase teatral, criando o clima ideal para serem entendidas.

Para Eduardo, a importância do projeto é criar público para diversas linguagens da arte. “A poesia é muito legal, ela é livre, é pra todo mundo, mas a visibilidade da música é muito maior que a da poesia. Então, quando a gente tem um projeto como este, que intercala poesia e música, as pessoas podem ver que as duas são uma coisa só. O IZP e a Comusa estão de parabéns por esse trabalho de fomentar público, porque quando nós trazemos pessoas pra ver nossa apresentação a gente está também fomentando público para outros artistas que se apresentem aqui e vice-versa”, comenta.

 

Jan Claudio

 

            Jan é dono de uma voz “macia” e perfeitamente afinada, seu repertório é construído em cima de uma MPB acessível, de melodias com forte apelo radiofônico, com refrões agradáveis que ficam na cabeça, como, por exemplo, em “Linda Sereia”. Em cima do palco, Jan Claudio apresenta uma desenvoltura que não lembra sequer a sombra de um bancário, sua atividade profissional paralela à música. Mesmo com toda a atribulada agenda profissional diária, o cantor arranja tempo para cuidar da carreira e planejar seu disco. “Para lançar um disco existe muita coisa envolvida. Mas, mesmo com essa falta de tempo, eu já estou com um pré-projeto do disco, com seis músicas arranjadas... De repente vai entrar alguma coisa daqui, dos arranjos que fizemos para este show, já que algumas músicas são totalmente inéditas e foram preparadas ao longo dos ensaios para este espetáculo”, revela o cantor.

            Jan também enxerga a interação da poesia com a música como um dos méritos do Palavra Mínima. “Esse projeto é fantástico! A gente estava ansioso pra participar, as pessoas também entenderam isso e compareceram, dando um gás a mais pra apresentação, que deu oportunidade pra mim e pro Proffa mostrarmos um pouco da nossa produção em conjunto, um trajeto quase 30 anos colocando as emoções no papel e no violão”.

 

A apresentação

 

            A apresentação teve como fio condutor a amizade dos dois artistas. O entrosamento entre eles é algo natural, nem poderia ser forçado. Assim como o vinho que estava sobre o palco, a parceria parece ter sido apurada com o tempo, sem se deixar transformar em vinagre. A demonstração de afeto e respeito mútuo deixou sua marca no espetáculo desde os acordes em parceria até quando um se referia ao outro usando a palavra irmão: Palavras têm força, por mínima que seja e essa química proporcionada pela amizade entre Jan e Edurado deu um tom bastante agradável ao show, que contou com os músicos afinadíssimos Nana Villa Lobos (Direção Musical, violões), Mizael Dantas (baixo), Christiaan Klaus (teclado) e Wilson Miranda (percussão) fazendo bonito.          

Como se isso não bastasse, o show contou com a participação especial da cantora Irina Costa, que deu um show a parte. Irina tem timbre e presença elogiáveis, apresentou “Literatura de Bordel”, uma música inédita da dupla de compositores, arrancando aplausos do público. “Foi um espetáculo muito bom de se fazer, a música é linda... Na verdade foi um convite inusitado, o Jan me mandou uma mensagem e eu aceitei sem titubear. Depois ele explicou como seria a minha participação e o público vai ter de vir assistir para entender a música e o contexto”, convida. Além de participar novamente do show da próxima sexta, Irina também vai se apresentar no Projeto Palavra Mínima, no dia 4 de novembro: imperdível.

O público aprovou a apresentação. “O projeto é ótimo, há essa interação da poesia cantada com a poesia declamada, e o show de hoje, em particular, com a voz belíssima do Jan, a performance da declamação, também: é o casamento perfeito! Harmonia, arte e o amor”, sintetizou a Juíza Ana Raquel Gama, que aplaudiu de pé em conjunto com o público que lotava a Espaço Linda Mascarenhas.

Quem não conseguiu comprar ingressos para assistir ao show, terá nova oportunidade esta sexta, dia 09 de setembro, às 20 horas. Vale a pena!

 

 

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