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02/06/2011 - 15h14m

Gustavo Gomes e Xameguinho homenageiam a sanfona em noite repleta de nordestinidade

Gustavo Gomes e Xameguinho homenageiam a sanfona em noite repleta de nordestinidade


 
Diogo Braz
 
Gustavo Gomes é uma figura carismática e inquieta, seu amplo raio de ação artística é uma prova disso. Já habituado aos palcos do teatro e às câmeras de cinema, parece se sentir ainda mais à vontade na música. Compositor que não se prende a um estilo, ele encontra nessa versatilidade a sua maneira de fazer música. Mais uma faceta de sua produção foi apresentada ao público, na última noite de maio, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, durante o show de lançamento do seu mais novo disco “De Xameguinho com a sanfona”, onde ele faz uma homenagem ao sanfoneiro alagoano Xameguinho, que participou de todo o disco e também do show.


            Gustavo faz questão de frisar que não se trata de um disco de Forró, mas um disco de composições para sanfona, que passa pelo Forró e outras vertentes da música brasileira. No palco, ele falou sobre a relação do nordestino com a sonoridade do instrumento, enquanto Xameguinho acendia na memória afetiva do público a paixão pelo som da sanfona, acompanhado por Van Silva no baixo, Naldo na zabumba, Guga Max no triângulo, mais o trio feminino de backing vocals Kíssia Barros, Karine Moura e Rosa Prédes, a esposa de Gustavo Gomes.


            O show começou com “Forrofiado”, composição de Gustavo e Anderson Fidelis, que também abre o disco, um forró animado, ideal para dançar nos “arraiás”. Generoso, abriu espaço para suas vocalistas soltarem a voz. “O Guga é uma figura, fico muito feliz em participar desse projeto. Eu pensei que ia fazer só uma participação no disco, mas ele me convidou também pra cantar no show. Foi muito legal da parte dele”, afirmou Karine Moura. Quando foi cantar uma canção de Luiz Gonzaga, Gustavo ponderou, “cantar o maior compositor desse negócio aqui (Forró) é muita areia pra quem nem caminhão tem, como eu... Mas a gente leva na caixinha de fósforo”, abrindo sorrisos no público, que aplaudia ao final de cada canção.


Os parceiros no trabalho foram devidamente homenageados no show, como os poetas Marcos de Farias Costa e Ricardo Cabús; o artista Rodrigues, autor de lindos desenhos expostos no hall do Linda Mascarenhas; e o maior homenageado da noite: Xameguinho. O sanfoneiro é uma unanimidade entre os apreciadores do instrumento, do público ao palco só se ouviam elogios sobre suas habilidades. Figura modesta e sorridente, Xameguinho se disse surpreso com a homenagem. “É muito bom receber uma homenagem dessa, é um reconhecimento do trabalho, não é? Primeiramente, eu agradeço a Deus, pois Ele que me deu a vida pra eu poder tocar sanfona. Eu não sabia que o Gustavo ia levar esse trabalho pros palcos. Quando ele me chamou pra gravar o disco, eu pensei que era pra fazer só uma participação, e nem sabia que as fotos que eu tirei com ele iam ser a capa do disco. Eu fico muito satisfeito em ter participado desse disco, que é um trabalho diferente; as músicas têm um estilo que as pessoas não estão muito acostumadas a ver por aí. Foi muito bom trabalhar a sanfona pra essas músicas”, analisou o sanfoneiro.

            O público também parece ter gostado das composições, inclusive pedindo bis. O músico Gabriel Cerqueira, que estava lá conferindo o show, aprovou. “É prazeroso ver o Guga cantando, a sinceridade dele é muito evidente. Ele tem uma produção muito diversificada, trabalha do instrumental ao samba, mas tudo tem a cara dele, justamente porque ele se entrega com essa sinceridade que a gente percebe, também, no palco”. E Gustavo explica o motivo dessa pluralidade. “É na música onde eu me sinto livre. Eu me atrevo mesmo a fazer de tudo e de vez em quando acerto uma”, afirmou.


            Homem do teatro, Gustavo explica como nasceu a ideia do disco, um pouco inspirado na arte de representar. “O disco surgiu como uma peça. Eu tinha sete músicas, cada uma como uma dramatização; eu havia pensado nelas assim, como partes de um musical. Quando eu percebi, eu estava quase com o material pra um disco inteiro”. Daí, Gustavo não teve dúvidas ao escolher Xameguinho pra dar vida à sanfona, e transformar o disco numa homenagem ao músico. “Xameguinho é o cara! Isso tem de se reconhecer. Ele manja tudo de sanfona e é nosso (de Alagoas). Se fosse com outro sanfoneiro, o disco poderia ter ficado bom também, mas tinha de ser com ele. Xameguinho tem essa pegada nordestinamente brasileira, é inconfundível, merece a homenagem”.


            Para Gustavo Gomes, o show teve sabor de celebração, com direito a mugunzá e outras delícias juninas para a plateia, ao final da apresentação. “Isso aqui, pra mim, é uma grande festa. Meu aniversário é no dia 17 e eu já estou comemorando aqui com o público, com os meus amigos. Dia 16 vai haver outra festa, na tenda cultural da UFAL, e depois disso, estou aberto a convites para levar esse show para outros lugares. Quero muito sair por aí com ele, é um trabalho que me dá muita alegria”.

 

 Alegria essa que pode ser sentida e compartilhada com quem esteve presente no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, numa noite em que a sanfona falou mais alto e lembrou, de uma forma nordestinamente especial, que a sonoridade desse instrumento está guardada nas raízes do brasileiro.

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