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11/08/2011 - 09h30m

As imagens de uma cena musical de peso

As imagens de uma cena musical de peso

Diogo Braz

Se uma imagem vale mais de mil palavras, as fotos de Pei Fon comportam frases rasgadas, gritadas em voz gutural. Em cartaz até 12 de agosto no Espaço Linda Mascarenhas com a exposição “Heavy Metal em destaque”, a fotógrafa revela o retrato de uma cena musical de fãs tão devotados quanto torcedores de futebol.

Assim como a arte dos gramados, o Heavy Metal é encarado por muitos como uma paixão, uma religião, e as fotos de Pei traduzem um pouco disso: são capturas de instantes que guardam toda a plasticidade de movimentos dos headbangers e seus rostos cheios de expressão. Há uma energia guardada nessas imagens que parece transportar o espectador para dentro da experiência de um show de Heavy Metal, quem já foi a um sabe muito bem do que se trata, reconhece-se nas poses ou apenas nas camisas pretas, indumentárias tão características do estilo, que têm a sobriedade monocromática quebrada pelas luzes coloridas que vêm do palco.

Pei Fon é familiar a esse cenário, há dois anos ela e alguns amigos vêm tocando a revista Rock Meeting, que cobre a cena de Rock de Alagoas, com destaque ao Metal. A fotografia está em seu DNA, sua família é talvez a mais tradicional família na arte da fotografia em Alagoas. Nada mais natural que unir duas paixões: a fotografia e o som pesado do Heavy Metal. A idéia da exposição surgiu ao final do curso de Jornalismo. Pei havia decidido fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso relacionado à fotografia, mas a temática das fotos foi sugestão da professora e fotógrafa Fernanda Capibaribe, que a incentivou a trabalhar com as fotos da Rock Meeting. “A princípio, eu pensava em fazer algo ligado à minha família, mas houve então algumas situações de perdas importantes dentro da família, como a minha mãe, daí eu desisti. Então a Fernanda sugeriu que eu pegasse as melhores fotos que eu havia feito pra revista e montasse uma exposição e que eu trabalhasse com essas fotos pro TCC. Eu selecionei umas 50 fotos e dessas, tirei 25 pra exposição. São fotos que têm um significado pra mim, eu sei por que cada uma delas está aqui nessa mostra. São dois anos de acompanhamento da cena, e a exposição também mostra um pouco da minha evolução na fotografia. Tem fotos do início da revista, algumas em que eu peguei a máquina e fui testando pra ver o que eu conseguia, bem no instinto mesmo, já outras que são aplicações de técnicas... Mas tudo sem mexer no photoshop, todo o resultado daqui foi tirado da câmera mesmo”, explica.

Com a experiência de dois anos acompanhando a cena do Heavy Metal, Pei Fon também tomou contato com o cenário musical de Rock pesado de outros estados e ressalta que a principal diferença da cena alagoana com a de outros lugares é que o headbanger alagoano é muito mais apaixonado pelo estilo. “O público daqui faz questão de demonstrar que está gostando do som, faz questão de ficar na frente do palco dando apoio às bandas, de falar com o artista no final do show e parabenizar, pelo menos em comparação aos estados onde estive eu nunca vi um público tão apaixonado quanto o daqui”, afirma Pei.

De acordo com a fotógrafa, a intenção principal da exposição é que esse público apaixonado se reconheça nas fotos. “É como se fosse um espelho das atitudes deles. A intenção é que as pessoas vejam as fotos e digam ‘poxa, eu também faço isso’; se o cara for músico, que ele se identifique: ‘eu também toco desse jeito’”

Para o músico Wagner Sampaio, as fotos representam bem o estilo. “Não precisava nem dizer que era uma exposição sobre Heavy Metal, as fotos já falam tudo. As marcas visuais do Metal estão presentes nas fotos: o cabelão sacudindo, as pessoas batendo cabeça na frente do palco... as fotos estão bem interessantes”, avaliou.

Se as imagens valem mais de mil palavras, o som das fotos de Pei Fon é distorcido, rápido e apaixonado, como a cena alagoana de Heavy Metal.

Veja como foi a exposição:
http://www.youtube.com/watch?v=TwigcefJ8FQ
Acesse a Rock Meeting:
http://issuu.com/rockmeeting

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